Joaquim Beltrão usa prefeitura como cabide de emprego para familiares

Quase 10 anos após ter sido editada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Súmula Vinculante 13, que veda a prática de nepotismo em todas as esferas de Poder, continua sendo desrespeitada. Em Alagoas, um dos casos mais gritantes e que esta semana foi denunciado ao Ministério Público Estadual é o do prefeito de Coruripe, Joaquim Beltrão (PMDB). Como se não bastasse ter a esposa – Dalva Edith Reis Beltrão Siqueira – como vice, ele nomeou para o primeiro escalão de seu governo nove familiares, incluindo filhos, sobrinhos e cunhados.

A denúncia foi levada ao MPE por José Edson de Castro Reis, funcionário público aposentado e candidato derrotado à Prefeitura de Coruripe nas eleições de 2016. Conhecido como Edinho do Hélvio (Hélvio de Castro Reis, ex-prefeito), ele disputou o pleito pelo PP e obteve 9,67% dos votos válidos – 2.732. Foi o terceiro colocado na disputa. O segundo foi Zé Enéas (José Enéas da Costa Gama), do PPS, que teve 20,60% da votação – 5.822 votos

Joaquim Beltrão Siqueira – irmão do deputado estadual licenciado João Beltrão ¬–, foi eleito com 19.710 votos, o equivalente a 69,74%. A votação maciça já era esperada, tendo em vista ser o Litoral Sul de Alagoas o reduto do clã Beltrão, chefiado pelo irmão, o temido parlamentar acusado de vários crimes, inclusive de homicídios, e um dos condenados em segunda instância no escândalo dos taturanas, como ficou conhecido o maior roubo da história do Legislativo estadual e que deixou um rombo estimado em R$ 300 milhões nos cofres públicos.

Ao levar a denúncia de nepotismo ao MPE, Edinho do Hélvio frisou que tenta resgatar a moralidade na Prefeitura de Coruripe, transformada em feudo dos Beltrão. E destaca que ela é apenas uma das muitas irregularidades da gestão capitaneada por Joaquim Beltrão. Um filho, uma irmã, quatro sobrinhos, um primo e uma cunhada do prefeito, além de uma cunhada da esposa de Joaquim Beltrão, estão na lista de secretários e chefes de órgãos de primeiro escalão da prefeitura.

TENTÁCULOS

Os tentáculos dos Beltrão se estendem por cinco municípios do Litoral Sul de Alagoas, a começar por Coruripe, menina dos olhos da família chefiada por João Beltrão e que tem na exploração de gás e petróleo uma de suas principais receitas. Nas eleições de 2016, a família comprovou seu poderio na região e parece ensaiar, na pessoa de um sobrinho do deputado JB – Marcelo Beltrão – novos voos, desta vez mirando Marechal Deodoro.

Em Jequiá da Praia, a prefeitura é comandada pela filha do deputado. Jeannyne Beltrão, sucedeu ao primo Marcelo, hoje secretário de Educação de Marechal.

Penedo, maior colégio eleitoral da região, continua tendo à frente Marcius Beltrão, sobrinho de JB, e que tem no primeiro escalão o irmão Marcos Beltrão, titular da Secretaria de Gestão Pública e Finanças e acumulando ainda mais duas pastas: Cultura e Turismo.

Os Beltrão retomaram para si o controle de Piaçabuçu que no ano passado elegeu para prefeito um primo de JB: Djalma Guttemberg Siqueira Breda, mas que assina como Djalma Beltrão e é tio de Marx Beltrão, o ministro do Turismo de Michel Temer e também sobrinho do deputado alagoano.

Ex-cunhada de João Beltrão, a prefeita de Feliz Deserto, Rosiane Beltrão, mantém a tradição da família e tem como um de seus principais auxiliares Márcio Beltrão Siqueira Filho. Sobrinho de Joaquim, ele é secretário de Obras e Urbanismo. (EA)

 

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