Essa ação não foi apenas uma manifestação artística, mas um ato de resistência e memória. A assinatura do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, foi lembrada como o início de um período violento e repressivo no país. Para Julia Cseko, a performance teve o objetivo de fazer as pessoas refletirem sobre as perdas sofridas durante a ditadura, não só de vidas, mas também de sanidade e liberdade.
O Ato AI-5 Nunca Mais já acontece há 11 anos em frente ao antigo Dops, reivindicando que aquele espaço se torne um memorial das atrocidades cometidas no local. Atualmente, o prédio da Polícia Central é um patrimônio histórico e artístico do Rio de Janeiro, porém sem qualquer indicação do seu passado sombrio. Muitos ativistas lutam para transformar esse edifício em um centro de memória das lutas contra a repressão.
Segundo a Comissão Nacional da Verdade, durante o golpe de 1964, 50 mil pessoas foram presas e torturadas, e pelo menos 434 foram mortas ou desapareceram durante a ditadura. Por isso, preservar a memória desses tempos é fundamental para garantir que essas atrocidades não se repitam. A secretária dos Direitos Humanos do Partido Comunista do Brasil, Dilceia Quintela, alerta que a história não pode ser esquecida, especialmente em momentos em que golpistas tentam minar a democracia.
A performance de Julia Cseko, que nasceu nos Estados Unidos devido à perseguição política de seu pai durante a ditadura, é mais do que uma expressão artística – é um grito de resistência e solidariedade. Em tempos incertos, lembrar do passado é essencial para evitar que os erros se repitam. Como disse a artista, “vamos lá, vamos botar sal aqui” – uma convocação para todos nós resistirmos e lutarmos pelos direitos humanos e pela democracia.