Segundo o BC, a inflação importada foi um dos principais fatores para o desvio da inflação em relação ao centro da meta de 3%. A alta do dólar teve um efeito de 1,21 p.p, enquanto as commodities contribuíram com 0,10 p.p. O aumento no preço internacional do petróleo foi responsável por reduzir em 0,59 p.p o desvio em relação ao centro da meta.
A depreciação cambial também foi destacada como um dos fatores que impactaram a inflação em 2024. O real perdeu mais valor em relação a outras moedas de países emergentes, o que foi atribuído a fatores domésticos. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal afetou os preços de ativos e as expectativas de inflação no país.
Além dos fatores externos, o aquecimento da economia brasileira também foi apontado como um dos motivos para a inflação acima do esperado. O crescimento da atividade econômica foi forte ao longo do ano, contribuindo para a inflação acima do intervalo de tolerância. A taxa de desemprego em níveis mínimos históricos também pressionou a inflação.
No segmento de preços, a inflação da alimentação em casa foi destaque, chegando a 8,22% em 2024 em decorrência da seca que atingiu o país e do aumento nas exportações de carnes. A inflação dos preços administrados também teve contribuições significativas, com destaque para os reajustes nos planos de saúde e nos produtos farmacêuticos.
Em relação aos combustíveis, a maior contribuição para a inflação dos preços administrados veio do aumento de 9,7% no preço da gasolina em 2024, influenciado pela alta do dólar, do etanol anidro e pelas elevações do ICMS no início do ano. O BC espera um crescimento de 3,5% do PIB em 2024, refletindo a recuperação econômica do país.